sábado, 9 de outubro de 2010

Os primórdios do vinho "bio"


Se bem que o vinho biológico só agora esteja a ganhar adeptos, tanto na fabricação como no consumo, os ensaios para a sua produção, no País, tiveram já início nos anos 60-70.
Entre as várias experiências feitas nessa data e como se pode deduzir pela fotografia tirada numa pequena aldeia encostada à região demarcada da Bairrada, já se fazia a pisa das uvas de acordo com as normas exigidas para a obtenção do vinho “bio”.
Quanto a mim, não sou fã do “bio”, gosto mais do vinho a sério e nesse aspecto estou de acordo com o poeta romano Ovídio:
“O vinho predispõe a nossa alma para o amor, se é bebido em doses moderadas e se mantemos alerta os sentidos, sem se embotarem com libações abundantes. O mesmo vento que mantém a chama é capaz de apagá-la; uma ligeira brisa faz subir a chama; uma brisa forte apaga-a. Portanto, das duas, uma: ou nada de embebedar-se ou uma bebedeira de tal ordem que faça esquecer as tuas preocupações amorosas; um estado intermediário é prejudicial.”
Ovídio (A Arte de Amar - Remédios contra o amor)

Último encontro dos ex-alunos do "Tomaz Ribeiro"


É comoção o que sinto
E, aos olhos, traz maresia…
Porque a vida é labirinto
Chegou, tarde, esta alegria.

Volvo, no tempo, o olhar
E tento fugir de mim…
Lá, longe, o principiar…
Mais perto, de nós, o fim.

No caminho percorrido,
Quem foi que não encontrou
Rosas brancas, tristes lírios,
Chagas, espinhos, martírios
Que o Destino semeou?

Se um poeta, por magia,
Desse vida às coisas mortas,
Os que faltam, neste dia,
Entravam por essas portas!...

Tondela 13 de Outubro de 2007
M.C.

RAIZES...




O senhor de barbas é o meu avô Ezequiel, o meu ídolo e o meu companheiro de longas viagens.
Morreu em 1938, com 80 anos, tinha eu 12. Fomos, várias vezes, a pé, daqui até Óvoa, no concelho de Santa Comba Dão, visitar seu filho e meu tio Manuel, que dava aulas naquela localidade. Quando mais tarde ele foi transferido para a sede do concelho, as viagens continuaram e lá íamos os dois, calcorreando montes e vales, muitas vezes aparecendo de surpresa.
Nunca esqueci essas passeatas e estou ainda a ver meu avô, a meio do caminho, sentado num muro, com a bengala entre as pernas, limpando o suor com o seu lenço “Tabaqueiro”.
Para quem não sabe, o lenço “Tabaqueiro” também chamado “Alcobaça”começou a ser fabricado no século XVIII e era usado por camponeses, sendo a cor preferida, a vermelha. A textura e a dimensão nada têm a ver com os lenços de agora, pois tinham várias decorações e o seu cunho não era português, mas, parece, indiano. No começo parece ter começado a ser usado por aqueles que cheiravam “rapé” e servia para limpar o pingo do nariz!... Camilo e Júlio Dantas, nas suas obras, várias vezes se referem a eles.
Há muito que caiu em desuso, mas há dias vi-os no pescoço de um conjunto de elementos de um grupo de concertinas.
Mas voltando ao avô Ezequiel, apesar de todos estes anos passados, conservo dele ternas recordações. Tratava-me sempre por “meu menino”e em conversas com minha avó Umbelina, quando se referia a mim, ele dizia sempre o nosso menino…
Era um exímio contador de anedotas que tinham sempre como pano de fundo o Brasil, onde esteve emigrado alguns anos e de onde regressou com alguns patacos para governar a vida, como dizia.
As suas longas barbas conferiam-lhe um certo “estatuto” e era muito respeitado e ouvido por todos que com ele privavam. Sempre de bom humor, sorriso nos lábios, a hospitalidade era o seu cartão de visita e ai daquele que recusasse o seu convite para beber uma pinga na sua adega… Zangava-se, e fazia com que, mesmo sem sede, as pessoas lhe fizessem a vontade.
Tinha orgulho em dizer que tinha antecedentes judeus e para reforçar esse sentimento apresentava como certificados, o nome, o nariz e até o nome da avó Umbelina, também ela, segundo ele, de descendência judia.
Nunca esqueci o dia 29 de Dezembro de 1938 e o momento em que a sua mão deixou de apertar a minha, e ele partiu…

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CENTRO SOCIAL IPSS - AGORA


CENTRO sOCIAL - IPSS

CENTRO SOCIAL - IPSS - ANTES...

Centro Social, IPSS - Em construção...

Parodiando "D. Jaime" de Tomaz Ribeiro

Honni soit...

Um dia numerosa cavalgada
Apeia-se ao portão,
Limpa-se da poeira, sobe a escada,
Entra pelo salão,
-O senhor D. Martinho de Aguilar?
- Eu sou - lhe diz o ancião.
- A quem me cabe a honra de falar?
-Justiça de Castela.
- Bem vinda seja ela.
E a Justiça de mim o que deseja?
- Vimos buscar o vosso Zezito
E levar esse maldito
Lá p'ras terras dos etarras.
Vamos cortar-lhe as garras
E pôr fim à lengalenga,
Pois só dessa maneira,
O engenheiro terá emenda!...
Pedimos desculpa ao autor
De ter alterado o poema
E desvirtuado a raiz,
Mas depois da Vila Morena
- E digo-o com muita pena -
Só há pinóquios no País!...

Recordar é viver

Recordam-se vocês do bom tempo de outrora,
Dum tempo que passou e que não volta mais,
Quando iamos a rir pela existência fora,
Alegres como em junho os bandos de pardais?
C'roava-nos a fronte um diadema d'aurora,
E o nosso coração vestido de esplendor
Era um divino abril radiante, onde as abelhas
Vinham sugar o mel na balsamina flor.
Que doiradas canções nossas bocas vermelhas
Não lançaram então perdidas pelo ar!...
Mil quimeras de glória e mil sonhos dispersos,
Canções feitas sem versos,
E que nós nunca nais havemos de cantar!...
Guerra Junqueiro "Musa em Férias" da minha Selecta de 1939