domingo, 24 de outubro de 2010

ANOS 60 ...O TEMPO NÃO VOLTA PARA TRÁS ...


O meu automóvel Renault Versailles no ano de 1956

Foi nos anos 60, pela primeira vez, que a canção foi concebida por e para jovens. Surge assim um novo mercado que a indústria fonográfica tenta conquistar e que vai ser conseguido através de ídolos como: Bécaud, Johnny, Sylvie, Sheila, Claude François, Christophe, Piaff, que constituíram a continuidade dos anos 50, em que emergiram Brassens, Brel, Aznavour, etc.. Artistas que tinham a idade dos seus fãs.
Guardo ainda alguns discos em vinil que adquiri nesse tempo e que ouço de vez em quando com uma certa nostalgia e ternura!
Se ainda fosse vivo, Bécaud, fazia hoje, dia 24 de Outubro, 83 anos…
(…) Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien ...

sábado, 23 de outubro de 2010

VOCÊ É IDOSO OU É VELHO?



Jogando a malha numa tarde quente de Primavera

Muitas pessoas confundem velho com idoso. Mas não é a mesma coisa. Idoso é uma pessoa que tem muita idade, mas que mostra sempre boa disposição. Velho é uma pessoa rezingona, que perdeu a jovialidade, que já não sabe rir.
Por isso, se a idade causa degenerescência das células, a velhice é a causadora da degenerescência do espírito. Daí que concluamos que nem todo o idoso é velho e que há também velhos que nunca foram idosos.
É-se idoso quando se sonha, e velho quando apenas se dorme. É-se idoso, quando ainda há vontade de aprender, e velho quando se pára no tempo. É-se idoso quando se ama, e velho quando temos ciúmes ou sentimentos de posse. Somos idosos quando no nosso calendário vemos as folhas sempre como o “amanhã” e velho quando é o “ontem” que marca o passar dos dias.
Idoso é aquele que teve a felicidade de viver uma vida longa, produtiva, e que adquiriu grande experiência. Ele é uma ponte entre o passado e o presente, assim como o jovem é uma ponte entre o presente e o futuro. O idoso e o jovem estão juntos no presente.
Velho é aquele que carrega muitos Invernos, mas em vez de transmitir experiência aos jovens, transmite pessimismo e desilusão. Para ele não existe ponte entre o passado e o presente. Há, isso sim, um fosso que o separa do presente pelo apego ao passado.
O idoso renova-se a cada dia que começa. O velho vai acabando em cada noite que termina.
O idoso tem sempre os olhos voltados para o horizonte, para o sol nascente, de onde vem a esperança. O velho tem os olhos voltados para os tempos que passaram. O idoso tem planos. O velho tem saudades. O idoso goza a vida, enquanto o velho só pensa na morte.
O idoso está sempre aberto à modernidade, estabelece diálogos com os jovens e procura compreender os novos tempos. O velho pára no tempo, fecha-se, e recusa integrar-se na sociedade.
O idoso trabalha sempre com projectos e esperanças. O tempo passa depressa e a velhice não chega. O velho deixa-se dominar pelo sono e as horas arrastam-se sem sentido. As rugas do idoso são menos profundas porque foram marcadas pelo sorriso. As do velho são feias porque foram vincadas pela amargura
Em resumo: idoso e velho são duas pessoas que até podem ter a mesma idade no bilhete de identidade, mas têm idades bem diferentes no coração.
A vida com as suas fases de infância, de juventude, de maturidade é uma experiência constante. Cada fase tem o seu encanto, a sua doçura, as suas descobertas. E sábio é aquele que desfruta de cada uma dessas fases em plenitude, tirando delas o melhor que elas têm. Devemos aceitar com naturalidade o passar dos anos e aceitar com bom humor as limitações que o tempo nos impõe. Dessa maneira seremos sempre idosos e nunca chegaremos a velhos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

LISBOA - EMBAIXADA DO ZAIRE 1981

DESILUSÃO



Contrariamente ao costume, desta vez, enchi-me de coragem e paciência e resolvi ver o programa “Prós e Contras” que é transmitido às segundas, no canal que é nosso, que nós pagamos, mas que são eles, os políticos, que o utilizam a seu bel-prazer.
E dei-me a esse frete, porque como eram os três ex-supremos magistrados da nação que iam votar faladura, eu pensei cá p’ra comigo: hoje vou ver que mezinhas é que os três da vida airada vão receitar ao moribundo para que ele saia do coma…
Enganei-me. Todos fizeram o mesmo diagnóstico, consultaram o “patracol” dos remédios e, no fim, a receita foi a mesma: papas de linhaça, uns sinapismos e uns paninhos de água fria para fazer baixarem a febre!
Nenhum deles ousou dar o nome ao vírus causador da doença, salvo o militar que ainda puxou dos galões, mas que logo mudou a pauta e começou a tocar a mesma música dos outros!
Apelos ao diálogo, incitamento ao patriotismo, muito palavreado, mas nenhum foi capaz de denunciar a incompetência, o oportunismos e a falta de honestidade material e moral dos que nos têm governado ultimamente e que puseram o país no estado de degradação em que se encontra.
Posso não perceber nada de política, mas si bem, por experiência própria, que muitas vezes, mesmo trabalhando duramente, não é fácil alcançar o que almejamos. E não é com palavras que lá vamos. É precisos trabalhar, fazer sacrifícios e, ao mesmo tempo, dividir o pão que comemos, (por vezes sem fome) com aqueles que o não têm. E como diz a máxima antiga: o exemplo deve vir de cima. Não do céu, mas deve vir dos mais ricos daqueles que têm mais almoços do que barriga… E isso eu não vi nem ouvi!