Este espaço, agora criado, vai funcionar como uma espécie de sótão onde se vão amontoando coisas velhas, usadas e outras que se guardam por questões sentimentais. É assim uma espécie de "santuário" onde me refugio de vez em quando, onde recordo o passado, onde vivo o presente e onde tento esquecer o "amanhã" ou essa inexorável lei da vida...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
O MEU AVÔ EZEQUIEL
Até ao fim da sua vida, o meu Avô Ezequiel foi o meu ídolo, o meu confidente e o meu cúmplice. Excelente contador de histórias, sobretudo sobre o Brasil onde havia estado alguns anos, era muito conhecido na aldeia pela maneira fantasiosa como as contava e pelos seus dichotes.Homem de forte compleição física, 1,75 de altura, barbas brancas, aqui e além amarelecidas pela cinza dos cigarros que, às vezes, por elas deslizava, o meu Avô Ezequiel encantava pela sua bonomia e boa disposição.
Fomos muitas vezes os dois a Santa Comba Dão, a pé, visitar meus tios – o tio Manuel, irmão de minha mãe, que dava aulas em Óvoa e sua mulher a tia Anita, que dava aulas em Santa C. Dão. Com minha Avó, Umbelina, assistimos aos seus últimos momentos no dia 29 de Dezembro de 1938, tinha 80 anos e eu 12.
São muitas as recordações que tenho dele e é sempre com emoção que, ao recuar no tempo, parece que sinto ainda o seu carinho, as suas barbas roçando-me a cara, as nossas caminhadas, os seus ensinamentos e, sobretudo, o seu orgulho quando evocava o seu bisavô, que era judeu!
Quando, em conversa com alguém, se referia a mim, nunca dizia o meu nome, dizia sempre “o meu menino”. E todos sabiam que eu era mesmo “o menino” do Avô das barbas como eu ternamente lhe chamava….
Foi o meu Avô Ezequiel o primeiro a incutir na minha mente os valores tradicionais entre os quais o amor de família e o respeito pelos outros, valores que se reforçaram ao longo dos anos, que têm resistido a vários sobressaltos da vida e que continuarão a resistir até que chegue o momento final.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O QUE É A FESTA DO TANQUE ?...
Para aqueles que não sabem e também para que fique registado para a posteridade, a “Festa do Tanque” teve origem numa brincadeira de meus netos que em finais de 2009 a pretexto de se reunirem todos, decidiram fazê-lo à volta do velho tanque, construído em 1949 e que tem servido de piscina, onde muitos jovens da aldeia têm aprendido a nadar.
A ideia foi germinando e em 2010 realizou-se o primeiro encontro, faltando apenas um dos elementos, o Ricardo (Richie Campbell), ausente em Espanha onde actuava num concerto. Éramos dez e representávamos três gerações – avós, pais e netos!
O relato fotográfico, ainda que pouco elucidativo, encontra-se no meu blog “Rabiscos”.
Este ano o tanque vestiu nova roupagem, enfiou uma fatiota azul celeste, e eis que, em fotografia, para os menos prevenidos, ele passa por uma verdadeira piscina!
As festas foram marcadas para os dias 10 e 11, mas mais uma vez não conseguimos reunir toda a família e desta vez faltaram dois dos seus membros – o André e o Ricardo. O primeiro porque chegado de terras de sua Majestade Britânica onde o Sol rareia, aproveitou as férias para como qualquer lagarto que se preza, bronzear o físico. O segundo, novamente, por uma arreliadora coincidência de datas, tinha concerto marcado para esse fim-de-semana nos arredores da capital.
Mas, mesmo assim, a festa fez-se…muito embora o céu se apresentasse com algumas nuvens e S. Pedro chegasse mesmo a ameaçar com uns chuviscos. Mas não levou a melhor, porque a rapaziada, mergulhou, brincou na água e encenou até uma batalha à antiga, usando abóboras como projécteis! Muita alegria e boa disposição…
Entretanto, cá fora, no grelhador do terraço, o carvão atingia o rubro e chegou o momento de colocar o entrecosto, o frango e as salsichas nas respectivas grelhas. Numa mesa ao lado imperavam os aperitivos para entreter e o barril de cerveja para molhar a goela. Na cozinha a azáfama não era menor e a Chefe esgrimia as sertãs e as panelas com verdadeira mestria.
O toque do clarim ecoou cerca das 14 horas e eis que começa o ataque…à mesa.
A fotografia diz tudo. Só de olhar para ela se dá razão e se conclui da veracidade dos estudos do senhor Pavlov!
Já o sol começava a esconder-se por detrás do castanheiro quando terminou a contenda. Embora a luta não tenha sido tão renhida como a do ano passado por não haver tantos “inimigos” a aprisionar, uma espécie de cansaço apoderou-se de todos e depois de limpo o campo de batalha, continuaram os festejos, lá fora, jogando cartas…
No domingo, e embora o S. Pedro continuasse zangado houve ainda valentes que mergulharam embora com menos assiduidade do que na véspera. Também o “assalto” teve lugar mais cedo, pois a segunda e terceira geração tinham que regressar a suas casas para, no dia seguinte, recomeçarem a luta pela vida.
RESUMO: Dois dias maravilhosos passados em família com muita alegria, muito humor, brejeirices à mistura, mas que, sobretudo para os “velhotes”, aqueceu a alma e reforçou ainda mais a vontade de viver com as provas de ternura e carinho que receberam de pais e netos…
Subscrever:
Mensagens (Atom)



