Este espaço, agora criado, vai funcionar como uma espécie de sótão onde se vão amontoando coisas velhas, usadas e outras que se guardam por questões sentimentais. É assim uma espécie de "santuário" onde me refugio de vez em quando, onde recordo o passado, onde vivo o presente e onde tento esquecer o "amanhã" ou essa inexorável lei da vida...
sexta-feira, 25 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
sábado, 8 de março de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
sábado, 21 de dezembro de 2013
SÚPLICA!...
Meu Menino Jesus:
Mas eu não sei rezar. Não sei rezar como os meninos e tu não compreendes, menino Jesus, a linguagem dos homens, mas eu não queria partir sem sentir reviver em mim – ainda que por momentos- essa esperança que transborda das almas dos pequenitos aqui ao meu lado… Não chores. Eu falei alto e tu assustaste- te com a minha voz rouca e cansada. Não tenhas medo... pensei que reconhecias a minha voz de quando era também pequenino. Eu vou embora. A noite está escura e nem uma estrela no teu Céu. O vento sopra forte e gélido. O meu fardo espera-me à porta. A Vida chama-me e eu vou. A lágrima que caiu nos teus pezitos não é de ressentimento, nem de desespero, nem de revolta…Tu sabes o que é uma lágrima? Uma lágrima pode ser um poema inteiro de amor, uma epopeia de dores, de privações, de martírios ou a síntese de uma esperança realizada. Uma lágrima é a alma que fala e deixa, por vezes, um vínculo que nada pode apagar…
Esta que molhou os teus pezitos é uma mistura de tudo isso – foi uma gota de água de uma abundante fonte de recordações que deslizou pelo rosto enrugado de um homem que nunca foi menino.
Não chores. Eu saio, mas suplico-te que faças com que eu possa voltar no próximo Natal para compartilhar das esperanças que vai na alma dos teus meninos…
Chamo-me Manuel e sou velho. Permite que me ajoelhe aqui junto ao presépio
ao lado de todos estes meninos que, de mãos erguidas e lábios frementes pedem
que te lembres deles na noite de Natal. Eu não ouço o que dizem, mas sei que te
pedem brinquedos. À luz bruxuleante das velas, nas suas caritas, há qualquer
coisa que enternece e deixa transparecer o que lhes vai na alma. A esperança
transforma os seus rostos e a confiança no pedido que fizeram, fortifica as
suas almas pequeninas – almas inocentes onde ainda não penetraram os males que
roem a Humanidade, eles aqui estão, abstraídos de tudo o que os rodeia,
esperando confiantes!
Lá fora é noite e faz frio; sopram ventos de destruição e de injustiça. E
eu entrei. Fugi à noite, ao frio e ao medo. Quis esquecer tudo e deixei à porta
o pesado fardo da Vida. Vim só. E queria pedir-te tantas coisas…Mas eu não sei rezar. Não sei rezar como os meninos e tu não compreendes, menino Jesus, a linguagem dos homens, mas eu não queria partir sem sentir reviver em mim – ainda que por momentos- essa esperança que transborda das almas dos pequenitos aqui ao meu lado… Não chores. Eu falei alto e tu assustaste- te com a minha voz rouca e cansada. Não tenhas medo... pensei que reconhecias a minha voz de quando era também pequenino. Eu vou embora. A noite está escura e nem uma estrela no teu Céu. O vento sopra forte e gélido. O meu fardo espera-me à porta. A Vida chama-me e eu vou. A lágrima que caiu nos teus pezitos não é de ressentimento, nem de desespero, nem de revolta…Tu sabes o que é uma lágrima? Uma lágrima pode ser um poema inteiro de amor, uma epopeia de dores, de privações, de martírios ou a síntese de uma esperança realizada. Uma lágrima é a alma que fala e deixa, por vezes, um vínculo que nada pode apagar…
Esta que molhou os teus pezitos é uma mistura de tudo isso – foi uma gota de água de uma abundante fonte de recordações que deslizou pelo rosto enrugado de um homem que nunca foi menino.
Não chores. Eu saio, mas suplico-te que faças com que eu possa voltar no próximo Natal para compartilhar das esperanças que vai na alma dos teus meninos…
domingo, 25 de agosto de 2013
ATÉ SEMPRE...
Alguém disse um dia «que a morte
interrompe os sonhos da vida de quem parte e deixa uma sofrida saudade em quem
fica...»
Desta feita, com as suas garras aduncas,
ela desenrolou o pergaminho e indiferente a tudo e a todas as súplicas - de pais,
marido, filhos, familiares e amigos - fez a chamada e escolheu-te a ti...
E pôs fim aos teus sonhos. Trocou as
voltas, baralhou os nossos projectos, deixou o teu lugar vazio e avivou em nós
aquela espécie de remorso, aquele arrependimento por não termos aproveitado
melhor os momentos de convívio - um sentimento que sempre nos invade quando um
amigo nos deixa.
E aqui estou eu, debruçado à janela do
tempo, recordando o teu espontâneo sorriso de sempre, mesmo quando as
adversidades te batiam à porta. E tantas vezes isso aconteceu… Que estejas em
paz, onde quer que te encontres. Eu não te esquecerei!...
sábado, 27 de julho de 2013
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