Só não apareço eu, porque filmei...
Este espaço, agora criado, vai funcionar como uma espécie de sótão onde se vão amontoando coisas velhas, usadas e outras que se guardam por questões sentimentais. É assim uma espécie de "santuário" onde me refugio de vez em quando, onde recordo o passado, onde vivo o presente e onde tento esquecer o "amanhã" ou essa inexorável lei da vida...
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
A FESTA DO TANQUE
Como vem sendo hábito, realizou-se na
semana passada, - 15,16 e 17 de Agosto de 2014 aqui na mansão do Régulo, a festa
anual – a “Festa do Tanque”.
Esta designação começou como uma
brincadeira de Verão e transformou-se numa reunião anual de toda a minha tribo.
Este ano, durante três dias, os treze
membros que a integram cumpriram o ritual vivendo momentos inesquecíveis,
mergulhando, comendo, bebendo e participando em diversos passatempos - jogos de
cartas, jogo da malha, Pétanque, Badmínton e outros divertimentos à mistura com
o desfiar das contas de vários rosários de recordações.
Foram quatro dias de festança. Os
festivaleiros da capital do Sul começaram a chegar na quarta e na quinta, - dia
em que um dos membros, o Richie, actuou numa cidade vizinha cumprindo a sua
agenda de cantor. Anote-se também, a chegada, à tardinha, de alguns membros
residentes na capital do Norte, que vieram também assistir ao concerto. Na sexta-feira
já com todos os membros presentes teve lugar o momento alto do encontro com o
ritual pantagruélico, do meio-dia, que reuniu à mesma mesa toda a tribo.
Foram sacrificadas quatro palmípedes da
família dos anatídeos, mais conhecidos por patos, que foram cortados em pedaços
e depositados num recipiente apropriado. Depois de sabiamente temperados com os
respectivos ingredientes, em que predominou o jindungo, foram cobertos com óleo
extraído da Elaeis guimeensis,
vulgarmente designado por óleo de palma, cozinhados em lume brando e servidos
conjuntamente com arroz branco e outros. O óleo de palma bruto age como um
antioxidante biológico e protege o organismo contra várias doenças entre elas a
arteriosclerose, mas apesar disso, e contrariamente aos antibióticos, não
impede a ingestão de álcool... Daí que nessa refeição houvesse grande
abundância de botelhas!
No sábado foi o dia dos grelhados em que
os elementos masculinos desempenharam o papel principal na confecção da
respectiva paparoca.
Uma mesa com aperitivos sólidos e
líquidos serviam de apoio aos assadores, que recorriam também, de vez em
quando, a um mergulho refrescante devido ao calor que se fazia sentir.
Refeição ao ar livre em ambiente
verdadeiramente familiar com educação, boa disposição e descontracção - lídimos
predicados dos Costas da Beira!...
No Domingo e já a pensar no fim da
festa, no regresso ao trabalho e também (por que não dizê-lo?) acusando já
algum cansaço devido aos inevitáveis abusos (tanto de sólidos como de líquidos)
as festividades abrandaram de ritmo e começou a debandada comos membros do
Norte a deixar o condado. Na segunda foram os do Sul que abalaram em direcção à
Capital do rectângulo.
Na segunda-feira ao meio-dia éramos
apenas 4 – nós, a Susana e o Manel, que ficaram para passar mais alguns dias.
Chega de palavras e o álbum de
fotografias basta para explicar melhor esses dias de muita alegria, boa
disposição e convívio familiar que vivemos todos juntos.
domingo, 11 de maio de 2014
A MINHA ALDEIA - O TOURIGO
A minha crónica da semana
passada tinha a ver com factos explicados na reportagem inserida nessa edição
acerca da polémica que se instalou na União de Freguesias do Barreiro e Tourigo,
mormente com a tentativa de dissuadir o porta-voz do “Movimento Cívico do
Tourigo e Pousadas” de se pronunciar na Assembleia da Câmara Municipal.
Não vou entrar em pormenores
uma vez que a referida reportagem é bem explícita quanto aos factos que
motivaram o diferendo existente.
No entanto, permitam-me que
transcreva um pequeno excerto do que escrevi neste Jornal em 09 de Agosto de
2012: «…) Ora sendo a totalidade das Freguesias da mesma cor política
(PSD) tal como a Câmara, que detém a maioria, isso não tornaria mais fácil
encontrar consenso para propor ao Governo uma solução para o concelho, em vez
de receber dele o figurino com o seu corte e costura? A quem cabe a
responsabilidade da inacção? Quase apetece perguntar por onde anda a Comissão
Política Concelhia que detém as Freguesias? O Povo pode não ter cursos, mesmo
esses da era moderna, mas não é burro.»
E agora pergunto: Que razões políticas
ou outras motivaram a extinção de uma Freguesia com 600 eleitores e com todos
os serviços necessários à sua continuidade? Para quem não sabe, aqui fica um
“inventário” desses serviços: uma Igreja Matriz com Salão Paroquial/Casa
Mortuária; uma Escola Básica; um Jardim de Infância; uma Oficina de Serralharia
e Canalização; uma de Carpintaria; um Salão de Cabeleireiro Unissexo; duas
Padarias- a Touricon e a Regional; um Centro Social com Apoio Domiciliário e
Centro de Dia; um Centro Cultural e Desportivo com todos os Jogos da Santa Casa;
uma Caixa Multibanco; um Centro Cultural nas Pousadas; uma Empresa de venda de
leitões assados; uma Farmácia; um Restaurante; um Comércio de Mercearias e
outros; um Estabelecimento de Alfaiataria com um Pronto-a-Vestir; três Empresas
de Comércio de Madeiras; uma de Materiais de Construção; um Posto de venda de
Combustíveis; uma Zona de Lazer com Bar, piscina e pavilhão de eventos; um
Campo de futebol de onze; um Polidesportivo, Balneários bem apetrechados; uma
Associação Folclórica- AFERT, que tem promovido grandes e importantes eventos
com um Rancho e um Grupo de Cavaquinhos; uma Estação de Arte Rupestre no
Valeiro da Ferradura…e até um cemitério onde repousam os nossos antepassados e
para onde também iremos um dia.
O consenso a que então me
referia foi o que está à vista – a extinção pura e simples da Freguesia sem
sequer haver qualquer diálogo com as populações. Agora, politicamente, não há
culpados. E se alguém reclama o que lhe é devido, ainda tentam impedir que a
sua voz seja ouvida publicamente!
Comemoraram-se há pouco os
quarenta anos de Democracia. Mas qual Democracia? A do Povo ou a dos
políticos?....
sábado, 3 de maio de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL DE 1974
No dia 25 de Abril de 1974 estava em Kinshasa e foi à noite, quando
participava num jantar de aniversário do Lyons Club no Hotel Intercontinental,
que tive conhecimento por intermédio da televisão francesa do que se estava a
passar em Portugal.
Comigo, na mesma mesa, estavam vários amigos e entre eles o
representante da Embaixada Portuguesa na capital e o Director do Colégio
Português de Kinshasa, que logo ao ver as primeiras imagens dos soldados na rua
exclamou num tom irónico-sarcástico: Mudaram
as moscas!…
Depois a conversa centrou-se nesse acontecimento e posso dizer que de
uma maneira geral para todos os presentes e residentes portugueses no Zaire foi
uma espécie de alívio dadas as tensas relações que reinavam entre os dois
Países motivadas pela guerra na vizinha Angola.
A base da FNLA de Holden Roberto em território zairense, de onde
partiam os ataques contra as tropas portuguesas, era também motivo de grande
apreensão quanto a possíveis retaliações do Governo zairense para com os
portugueses que ali trabalhavam.
No entanto em 1975, aquando da independência de Angola, a fuga dos
portugueses que ali residiam, ao passarem pelo Zaire, mostraram-nos aquilo que
julgávamos nunca pudesse acontecer. Como ainda me dói recordar esses homens
mulheres e crianças, que depois de uma vida inteira foram obrigados a deixar
tudo o que construíram, transcrevo um pequeno excerto de um texto da Internet:
“O facto do Governo Português não acautelar ou, pior ainda, não
autorizar a transferência dos bens dos portugueses na altura da descolonização
foi uma das maiores injustiças, praticadas por quem mandava e a desgraça de
tanta gente, que após longos anos de trabalho, caiu sem culpa nem pecado na
mais odiosa das misérias, na pobreza extrema, no desespero, muitos na loucura e
até na morte. Foi a situação mais injusta e catastrófica que imaginar se possa!
Dum momento para o outro perderem todos os seus haveres sem nada terem
contribuído para essa perda. Serem forçados a abandonar o fruto do trabalho
árduo no decorrer de longos anos, de canseiras, vigílias, economias feitas à
custa de grandes sacrifícios. Deixarem empresas, fazendas, prédios, terrenos,
carros, dinheiro, a própria casa com seu recheio, objectos pessoais, roupas,
enfim... tudo, (houve pessoas que, se quiseram salvar a vida, regressaram
apenas a roupa que traziam vestida.)
Verem-se despojados de quanto haviam adquirido, custa muito a aceitar
e, é impossível explicar por palavras a quem o não viveu.”
“Espoliado
Velho
e dobrado sobre o cajado,
Segue... a esmolar o pão da vida!...
-Parece uma virgula mal metida
Num parágrafo mal articulado.
Foi soldado e comerciante honrado
Na Pátria plural que foi concebida
D'honra e sangue da Gesta convencida
Da justeza do Espaço conquistado
Espoliado... Retornado e só...
- Torrão de lama a virar em pó!...
Perdeu o sol e o Direito do chão...
- É trapo da bandeira... e caravelas
Chegadas ao cais e arreadas as velas
Por ventos de Leste... e Alta traição!...”
Campos Almeida
MANHÃ DE 25 DE ABRIL DE 2014
NEVOEIRO
“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que
coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!”
Fernando Pessoa
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