Em 04 de Outubro de 2014
Este espaço, agora criado, vai funcionar como uma espécie de sótão onde se vão amontoando coisas velhas, usadas e outras que se guardam por questões sentimentais. É assim uma espécie de "santuário" onde me refugio de vez em quando, onde recordo o passado, onde vivo o presente e onde tento esquecer o "amanhã" ou essa inexorável lei da vida...
sábado, 18 de outubro de 2014
SETENTA ANOS DEPOIS...
(A propósito do 6.º encontro
do “Tomaz Ribeiro”)
Já muitas vezes vos tenho aqui
falado da minha velha arca. De vez em quando abro-a, remexo, folheio os papéis
amarelecidos, e com as mãos também já envelhecidas faço uma visita ao passado.
Alguns livros por que estudei,
lá estão como que a recordar esse tempo distante e diferente – uns sem capa,
outros com folhas descoladas, ali dormem misturados com papéis decrépitos,
cheios de anotações e de muitas rasuras indiferentes ao correr do tempo e às
modernas reformas.
Às vezes, e porque já são
tantos, sinto vontade de rasgar alguns, de os queimar... Mas desisto sempre!
Eles representam os meus (já poucos) cabelos brancos, as minhas rugas, as veias
salientes das minhas mãos que o tempo tingiu de castanho-escuro. Papéis
amarelecidos. Retratos desbotados. Pétalas de flores ressequidas. Cartas…
«Velhas cartas…Antigas
confidências…
Recordações de tudo que se
quis:
Que avivam do passado as
ocorrências
E a mocidade quanta coisa
diz!...
Velhas cartas… Desfile de
sequências…
Devaneios que, outrora,
amando, fiz,
Pois o tempo transforma em
reticências
Palavra e gesto … o que me fez
feliz!
Releio-as uma a uma… Que
ansiedade!
Adormecido mundo que desperta,
Que me envolve no manto da
saudade.
E, hoje, minha existência é
tão deserta,
Que revejo o fulgor da
mocidade,
Como se fosse a derradeira
oferta.»
E são estes papéis sem cor –
este amontoado de coisas velhas, essas sebentas rabiscadas, esse “querer” sem
“crer” de outrora – que fazem com que, de vez em quando, ao sentir-me perdido e
baralhado no meio de todo este turbilhão de loucuras e de incertezas, me fazem
subir as escadas, ir ao sótão, abrir a minha velha arca…e sonhar um pouco!
Não sou poeta, mas sou um fervoroso
adepto dessa mistura de filosofia e de religiosidade que é a saudade. E as
saudades são uma espécie de sonho, uma poesia abstracta... E para mim, esse
sonho, se não é poesia, é metade da realidade... sexta-feira, 29 de agosto de 2014
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
A FESTA DO TANQUE
Como vem sendo hábito, realizou-se na
semana passada, - 15,16 e 17 de Agosto de 2014 aqui na mansão do Régulo, a festa
anual – a “Festa do Tanque”.
Esta designação começou como uma
brincadeira de Verão e transformou-se numa reunião anual de toda a minha tribo.
Este ano, durante três dias, os treze
membros que a integram cumpriram o ritual vivendo momentos inesquecíveis,
mergulhando, comendo, bebendo e participando em diversos passatempos - jogos de
cartas, jogo da malha, Pétanque, Badmínton e outros divertimentos à mistura com
o desfiar das contas de vários rosários de recordações.
Foram quatro dias de festança. Os
festivaleiros da capital do Sul começaram a chegar na quarta e na quinta, - dia
em que um dos membros, o Richie, actuou numa cidade vizinha cumprindo a sua
agenda de cantor. Anote-se também, a chegada, à tardinha, de alguns membros
residentes na capital do Norte, que vieram também assistir ao concerto. Na sexta-feira
já com todos os membros presentes teve lugar o momento alto do encontro com o
ritual pantagruélico, do meio-dia, que reuniu à mesma mesa toda a tribo.
Foram sacrificadas quatro palmípedes da
família dos anatídeos, mais conhecidos por patos, que foram cortados em pedaços
e depositados num recipiente apropriado. Depois de sabiamente temperados com os
respectivos ingredientes, em que predominou o jindungo, foram cobertos com óleo
extraído da Elaeis guimeensis,
vulgarmente designado por óleo de palma, cozinhados em lume brando e servidos
conjuntamente com arroz branco e outros. O óleo de palma bruto age como um
antioxidante biológico e protege o organismo contra várias doenças entre elas a
arteriosclerose, mas apesar disso, e contrariamente aos antibióticos, não
impede a ingestão de álcool... Daí que nessa refeição houvesse grande
abundância de botelhas!
No sábado foi o dia dos grelhados em que
os elementos masculinos desempenharam o papel principal na confecção da
respectiva paparoca.
Uma mesa com aperitivos sólidos e
líquidos serviam de apoio aos assadores, que recorriam também, de vez em
quando, a um mergulho refrescante devido ao calor que se fazia sentir.
Refeição ao ar livre em ambiente
verdadeiramente familiar com educação, boa disposição e descontracção - lídimos
predicados dos Costas da Beira!...
No Domingo e já a pensar no fim da
festa, no regresso ao trabalho e também (por que não dizê-lo?) acusando já
algum cansaço devido aos inevitáveis abusos (tanto de sólidos como de líquidos)
as festividades abrandaram de ritmo e começou a debandada comos membros do
Norte a deixar o condado. Na segunda foram os do Sul que abalaram em direcção à
Capital do rectângulo.
Na segunda-feira ao meio-dia éramos
apenas 4 – nós, a Susana e o Manel, que ficaram para passar mais alguns dias.
Chega de palavras e o álbum de
fotografias basta para explicar melhor esses dias de muita alegria, boa
disposição e convívio familiar que vivemos todos juntos.
domingo, 11 de maio de 2014
A MINHA ALDEIA - O TOURIGO
A minha crónica da semana
passada tinha a ver com factos explicados na reportagem inserida nessa edição
acerca da polémica que se instalou na União de Freguesias do Barreiro e Tourigo,
mormente com a tentativa de dissuadir o porta-voz do “Movimento Cívico do
Tourigo e Pousadas” de se pronunciar na Assembleia da Câmara Municipal.
Não vou entrar em pormenores
uma vez que a referida reportagem é bem explícita quanto aos factos que
motivaram o diferendo existente.
No entanto, permitam-me que
transcreva um pequeno excerto do que escrevi neste Jornal em 09 de Agosto de
2012: «…) Ora sendo a totalidade das Freguesias da mesma cor política
(PSD) tal como a Câmara, que detém a maioria, isso não tornaria mais fácil
encontrar consenso para propor ao Governo uma solução para o concelho, em vez
de receber dele o figurino com o seu corte e costura? A quem cabe a
responsabilidade da inacção? Quase apetece perguntar por onde anda a Comissão
Política Concelhia que detém as Freguesias? O Povo pode não ter cursos, mesmo
esses da era moderna, mas não é burro.»
E agora pergunto: Que razões políticas
ou outras motivaram a extinção de uma Freguesia com 600 eleitores e com todos
os serviços necessários à sua continuidade? Para quem não sabe, aqui fica um
“inventário” desses serviços: uma Igreja Matriz com Salão Paroquial/Casa
Mortuária; uma Escola Básica; um Jardim de Infância; uma Oficina de Serralharia
e Canalização; uma de Carpintaria; um Salão de Cabeleireiro Unissexo; duas
Padarias- a Touricon e a Regional; um Centro Social com Apoio Domiciliário e
Centro de Dia; um Centro Cultural e Desportivo com todos os Jogos da Santa Casa;
uma Caixa Multibanco; um Centro Cultural nas Pousadas; uma Empresa de venda de
leitões assados; uma Farmácia; um Restaurante; um Comércio de Mercearias e
outros; um Estabelecimento de Alfaiataria com um Pronto-a-Vestir; três Empresas
de Comércio de Madeiras; uma de Materiais de Construção; um Posto de venda de
Combustíveis; uma Zona de Lazer com Bar, piscina e pavilhão de eventos; um
Campo de futebol de onze; um Polidesportivo, Balneários bem apetrechados; uma
Associação Folclórica- AFERT, que tem promovido grandes e importantes eventos
com um Rancho e um Grupo de Cavaquinhos; uma Estação de Arte Rupestre no
Valeiro da Ferradura…e até um cemitério onde repousam os nossos antepassados e
para onde também iremos um dia.
O consenso a que então me
referia foi o que está à vista – a extinção pura e simples da Freguesia sem
sequer haver qualquer diálogo com as populações. Agora, politicamente, não há
culpados. E se alguém reclama o que lhe é devido, ainda tentam impedir que a
sua voz seja ouvida publicamente!
Comemoraram-se há pouco os
quarenta anos de Democracia. Mas qual Democracia? A do Povo ou a dos
políticos?....
sábado, 3 de maio de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL DE 1974
No dia 25 de Abril de 1974 estava em Kinshasa e foi à noite, quando
participava num jantar de aniversário do Lyons Club no Hotel Intercontinental,
que tive conhecimento por intermédio da televisão francesa do que se estava a
passar em Portugal.
Comigo, na mesma mesa, estavam vários amigos e entre eles o
representante da Embaixada Portuguesa na capital e o Director do Colégio
Português de Kinshasa, que logo ao ver as primeiras imagens dos soldados na rua
exclamou num tom irónico-sarcástico: Mudaram
as moscas!…
Depois a conversa centrou-se nesse acontecimento e posso dizer que de
uma maneira geral para todos os presentes e residentes portugueses no Zaire foi
uma espécie de alívio dadas as tensas relações que reinavam entre os dois
Países motivadas pela guerra na vizinha Angola.
A base da FNLA de Holden Roberto em território zairense, de onde
partiam os ataques contra as tropas portuguesas, era também motivo de grande
apreensão quanto a possíveis retaliações do Governo zairense para com os
portugueses que ali trabalhavam.
No entanto em 1975, aquando da independência de Angola, a fuga dos
portugueses que ali residiam, ao passarem pelo Zaire, mostraram-nos aquilo que
julgávamos nunca pudesse acontecer. Como ainda me dói recordar esses homens
mulheres e crianças, que depois de uma vida inteira foram obrigados a deixar
tudo o que construíram, transcrevo um pequeno excerto de um texto da Internet:
“O facto do Governo Português não acautelar ou, pior ainda, não
autorizar a transferência dos bens dos portugueses na altura da descolonização
foi uma das maiores injustiças, praticadas por quem mandava e a desgraça de
tanta gente, que após longos anos de trabalho, caiu sem culpa nem pecado na
mais odiosa das misérias, na pobreza extrema, no desespero, muitos na loucura e
até na morte. Foi a situação mais injusta e catastrófica que imaginar se possa!
Dum momento para o outro perderem todos os seus haveres sem nada terem
contribuído para essa perda. Serem forçados a abandonar o fruto do trabalho
árduo no decorrer de longos anos, de canseiras, vigílias, economias feitas à
custa de grandes sacrifícios. Deixarem empresas, fazendas, prédios, terrenos,
carros, dinheiro, a própria casa com seu recheio, objectos pessoais, roupas,
enfim... tudo, (houve pessoas que, se quiseram salvar a vida, regressaram
apenas a roupa que traziam vestida.)
Verem-se despojados de quanto haviam adquirido, custa muito a aceitar
e, é impossível explicar por palavras a quem o não viveu.”
“Espoliado
Velho
e dobrado sobre o cajado,
Segue... a esmolar o pão da vida!...
-Parece uma virgula mal metida
Num parágrafo mal articulado.
Foi soldado e comerciante honrado
Na Pátria plural que foi concebida
D'honra e sangue da Gesta convencida
Da justeza do Espaço conquistado
Espoliado... Retornado e só...
- Torrão de lama a virar em pó!...
Perdeu o sol e o Direito do chão...
- É trapo da bandeira... e caravelas
Chegadas ao cais e arreadas as velas
Por ventos de Leste... e Alta traição!...”
Campos Almeida
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