Depois de vários exercícios de memória cheguei a conclusão de que esta fotografia deveria ter sido tirada numa das idas a Óvoa ( Santa Comba Dão) que fazíamos a pé em visita a meu Tio Manuel, professor naquela aldeia. A fotografia foi-me dada agora por meu primo Jorge Alberto, filho de meu tio Manuel. Essa hipótese reforça o que acima digo. Nessa altura a minha idade oscilaria entre os cinco e os sete anos (?)....
Este espaço, agora criado, vai funcionar como uma espécie de sótão onde se vão amontoando coisas velhas, usadas e outras que se guardam por questões sentimentais. É assim uma espécie de "santuário" onde me refugio de vez em quando, onde recordo o passado, onde vivo o presente e onde tento esquecer o "amanhã" ou essa inexorável lei da vida...
sábado, 18 de abril de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
SAVOIR VIEILLIR
Vieillir, se
l'avouer à soi-même et le dire,
Tout haut, non pas
pour voir protester les amis,Mais pour y conformer ses goûts et s'interdire
Ce que la veille encore on se croyait permis.
À chaque cheveu blanc se séparer d'un rêve
Et lui dire tout bas un adieu sans retour.
Et nourrir son esprit d'un solide savoir ;
Devenir bon, devenir doux, aimer les jeunes
Comme on aima les fleurs, comme on aima l'espoir.
Craindre d'être importun, sans devenir sauvage,
Se laisser ignorer tout en restant près d'eux.
Sans négliger son corps, parer surtout son âme,
Chauffant l'un aux tisons, l'autre à l'antique foi,
Puis un jour s'en
aller, sans trop causer d'alarmes,
Discrètement
mourir, un peu comme on s'endort,Pour que les tout petits ne versent pas de larmes
Et qu'ils ne sachent pas ce que c'est que la mort.
François FABIÉ (1846-1928)
(Recueil : Ronces et lierres)
sábado, 28 de fevereiro de 2015
ESCUTAS TELEFÓNICAS
- Sou, quem fala?
-É o Tóino, pá!... Mas este não é o teu número!...
-Pois não. Estou a telefonar de uma cabine pública.
- Perdeste o telemóvel ou estás em Lisboa?...
- Qual Lisboa, qual quê... Estou no Tourigo.
-No Tourigo? Então vocês têm aí agora uma cabine pública?
-É verdade! E há sempre fila. E esta malta ainda diz mal do Governo…
-Mas agora que todos têm telemóveis…
-Pois, mas sabes que uma geringonça destas numa aldeia reforça-lhe o estatuto. Parece que a PT tinha muitas em armazém e resolveu distribuí-las pelas aldeias mais importantes.
- Ganda cena, meu! Sois os maiores. Não parais de evoluir. E a inauguração da piscina?
- Isso vai ser lá pró Verão. Agora com este tempo frio e como toda a gente tem chuveiro em casa, todos se lavam no quentinho…
-Fixe!
- Olha, acabaram-se as moedas, tenho de desligar. Tchau!
- OK. Tchau!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
SERÕES À LAREIRA...
REFLEXÕES
Somos, durante a maior parte da nossa vida, prisioneiros de
paradigmas, prisioneiros das leis que nos são impostas pela sociedade, pelas
leis dos homens e até mesmo pela lei de Deus por intermédio da religião.
Somos, enfim, não só prisioneiros de nós mesmos, mas também dos
outros. Com isto fica claro que estamos sempre aprisionados dentro dessa teia
de regras e preceitos, vivendo como que cercados por uma espécie de muralha
invisível.
É assim a vida de cada um de nós – uma espécie de prisão sem grades!
E quem tiver medo de transpor esses muros que nos cercam,
arrisca-se a ficar eternamente prisioneiro, acabando como mosca em teia de
aranha.
Torna-se, por isso necessário saltar a “barreira” não ter medo da
opinião dos outros, pôr de parte preconceitos, e sem infringir regras e
respeitar os valores que nos ensinaram, viver a vida com todas as nossas forças
e ser feliz.
Muita gente pensa que para isso é necessário fazer cruzeiros,
rumar a lugares exóticos, vestir roupa de marca, possuir uma fortuna, beber e
comer sem regras, viajar emoldurado em luxuosos automóveis, habitar em grandes
mansões, enfim, fazer ver aos outros que “têm”, quando afinal o mais importante
é “serem”.
Ser aquilo que realmente somos - não confundindo nunca o “ter” com
o “ser” - é uma das regras fundamentais para ser feliz. Dar valor a pequenas
coisas é um complemento a não esquecer.
E a propósito de pequenas coisas, há dias numa roda de amigos
festejava-se o aniversário de uma criança e cada um trazia a sua prenda.
E eram variadas. No entanto a criança confusa com tanto “objecto”
agradou-se de uma caixinha com um brinquedo electrónico, tirou-o, pô-lo de lado
e começou a brincar com a caixa, pondo-lhe dentro todos os brinquedos mais
pequenos espalhados pelo chão...
Já em casa, pensando no assunto, reflecti na naturalidade e na
criatividade interna daquela criança que, com ideias próprias, passou todo o
tempo entretida!
E se fossemos buscar a criança que ainda mora no nosso interior e
procurássemos também a maneira de sermos felizes criando nós mesmos sem
necessitar de ajuda alheia a nossa maneira de sermos felizes?
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
SOZINHOS...
SOZINHOS
Frustração,
desencanto,
desilusão.
Tanto desejo
Insatisfeito,
Tanta mágoa
Que se esconde
No nosso peito!...
A rir por fora
E por dentro a chorar
Mascarando a verdade
Só por vaidade
De se querer chegar.
Risos e sorrisos
Lágrimas disfarçadas
Dores estranguladas
Ao nascer!...
Exibindo alegria
Com hipocrisia
E sem pudor
Como nas farsas
As falsas chalaças
Dum mau actor!...
E um dia quando a máscara cair
Muito enrugada de tanto fingir,
Desce o pano, apagam-se as luzes!
Escuridão nos caminhos!...
Rir ou chorar
Pouco importa,
Fechou-se a porta
Estamos sozinhos!...
terça-feira, 11 de novembro de 2014
INACREDITÁVEL, SÓ VISTO!
É sábado, primeiro dia de
Novembro; para uns, hoje é dia de Todos-os-Santos; para outros é dia das
bruxas; para outros dia de caça, cada um escolhe, livremente, qual a formatação
que melhor se adapta ao meio em que cresceu. É, em boa verdade, apenas mais um
dia.
Para o meu texto, conta a
versão importada do dia das bruxas, uma vez que aquilo que hoje tenho para vos
dizer está, de algum modo, relacionado com o fantástico mundo do bruxedo e da
fantasia.
Acredito que a maior parte de
vocês já tenha ouvido algum conhecido a dizer “já só me falta ver um porco a voar!” depois de presenciar
algo de verdadeiramente fora do comum, raro e inimaginável!
Foi precisamente isso, algo de
absolutamente inacreditável, que me foi relatado e que terá acontecido em casa
dos meus Pais.
Temporariamente forçada a um
descanso quase absoluto por uma situação clinica hoje considerada como de
rotina, a senhora minha Mãe viu-se na completa dependência do marido para a
preparação das necessidades alimentares.
O meu Pai e a cozinha são duas
coisas, dois conceitos que se repelem mutuamente excepto quando a fome se
instala ou quando o frio aperta e o fogão de lenha exala aquele calor que tão
bem sabe.
Ver o homem a cirandar na
cozinha é um programa cómico que às vezes pode ser trágico e dou comigo a
pensar que ele faz aquilo de propósito para ser proibido de executar certas
tarefas (a algum lado terei ido buscar certas manhas…).
Sempre que a minha Mãe lhe
pede para desligar o lume do bico do fogão – algo simples, não acham? – a
situação torna-se tão volátil e perigosa como viver num território ocupado
pelos malucos dos radicais islâmicos.
Receosa que a sua boa saúde
pudesse estar em perigo (quantas é que na idade dela não tomam nenhum
comprimido pela manhã e só um à noite?!), a minha Mãe pediu-me para eu ir até
lá a casa dar-lhe umas aulas de culinária; embora não costume exibir os meus
tributos à borla, não pude deixar de atendar ao seu pedido pois até me
arrepiava só de imaginar os danos no seu sistema digestivo após ingestão da má
comida confeccionada pelo marido.
Incapaz de se manter atento,
ou mostrar interesse enquanto eu tentava ensinar-lhe algo básico, como fazer
bifes e batatas fritas, tudo fez para que a minha calma fosse para o galheiro.
Conseguiu-o ao fim de cinco minutos e eu parti, o coração destroçado por deixar
a minha Mãe em tamanhos apuros.
Qual não é o meu espanto, em
recente relatório, vi evidência de que o homem terá conseguido cozer batatas,
cenouras, cebolas, peixe, e, pasmem, terá até feito um bolo – um bolo senhores!
Estou estupefacto, de boca aberta e de queixo caído!
E a minha Mãe ainda respira e
até sorri! Pedi-lhe para só comer uma fatia daqui a três dias e, mesmo assim,
só depois do cozinheiro o ter experimentado; ela está impaciente, acho que não
vai resistir tanto tempo, tenho que ir até lá, vou comprar mais sais de frutos,
fazer a mala e ver um porco a voar!
Nota: Crónica publicada na Edição n.º 1229 de 06 de Novembro de 2014
sábado, 18 de outubro de 2014
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